Definição
O sujeito que concilia formação superior com trabalho remunerado, geralmente em regime que compromete o tempo fora da sala de aula. Diferente do estudante que trabalha, sua identidade central é o trabalho, e o estudo é encaixado nos intervalos disponíveis.
Verbete por Andrew Matheus Frederico Rozada
O estudante trabalhador é o sujeito que concilia a formação superior com o trabalho remunerado, geralmente em regime que compromete parte substancial do tempo fora da sala de aula. A distinção proposta por Comin e Barbosa (2011) é precisa: há o estudante que trabalha, cuja identidade central é estudantil e o trabalho é secundário, e o trabalhador que estuda, cuja identidade é constituída pelo trabalho e o estudo é encaixado nos intervalos disponíveis. A universidade pública brasileira foi projetada para o primeiro perfil. A maioria que a ocupa hoje pertence ao segundo.
A presença massiva de estudantes trabalhadores no ensino superior é consequência direta da expansão das políticas de acesso, do REUNI ao SISU, sem expansão equivalente de políticas de permanência. A dedicação exclusiva pressuposta pela grade horária, pela extensão curricularizada e pelas formas convencionais de avaliação colide com a realidade de quem trabalha oito horas e chega à aula sem ter estudado. Dubet (2008) observa que a igualdade formal de acesso não produz igualdade educativa quando as condições materiais de permanência são radicalmente distintas.
Reconhecer o estudante trabalhador como categoria analítica própria tem consequências práticas: exige desenhar atividades, horários e formas de avaliação que considerem a dupla jornada como dado estrutural, e não como exceção a ser tolerada. No Atlas do NEXO, este verbete conversa com curricularização da extensão e permanência no ensino superior.