Definição
O conjunto de condições que permitem ao estudante não apenas ingressar, mas concluir o curso de graduação. Inclui dimensões econômicas, pedagógicas e simbólicas que o acesso formal não resolve.
Verbete por Andrew Matheus Frederico Rozada
Permanência no ensino superior nomeia o conjunto de condições que permitem ao estudante não apenas ingressar, mas concluir o curso de graduação. O debate teórico organizou-se em torno de dois modelos complementares. Tinto (1993) argumentou que a permanência depende da integração acadêmica e social do estudante na instituição: quanto mais o estudante se sente parte do ambiente universitário, mais ele investe na trajetória. Coulon (2008) deslocou o foco para o conceito de afiliação, o processo pelo qual o estudante aprende os códigos da vida universitária e passa a se reconhecer como pertencente a esse mundo.
O limite desses modelos, quando aplicados ao Brasil, é que pressupõem estudantes com disponibilidade de tempo para as formas de integração que descrevem. Dubet (2008) formulou o problema com mais precisão: a igualdade formal de tratamento não produz igualdade de resultados quando os pontos de partida são desiguais. Oferecer as mesmas atividades a todos, sem considerar que parte dos estudantes trabalha oito horas antes de entrar na sala, não é neutralidade, é reprodução da desigualdade com aparência de mérito.
As políticas públicas de permanência no Brasil, concentradas no PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil, Decreto n. 7.234/2010), privilegiaram auxílios financeiros e moradia. A dimensão pedagógica da permanência, que exigiria rever formatos de aula, critérios de avaliação e a própria curricularização da extensão, permanece pouco enfrentada. No Atlas do NEXO, este verbete conecta estudante trabalhador e curricularização da extensão.