O conjunto de atividades necessárias para a manutenção da vida humana e da força de trabalho, historicamente invisibilizadas e atribuídas às mulheres, mas indispensáveis ao funcionamento do capitalismo.
O trabalho reprodutivo compreende atividades como cozinhar, limpar, cuidar de crianças, idosos e doentes, e organizar a vida cotidiana. Embora seja indispensável para o funcionamento da sociedade e para a reprodução diária da força de trabalho, esse trabalho foi historicamente excluído das análises econômicas tradicionais e não recebe remuneração. A historiadora italiana Silvia Federici, em *Calibã e a Bruxa* (2004), argumenta que o capitalismo depende profundamente desse trabalho não remunerado, pois ele garante a reprodução cotidiana dos trabalhadores sem custos diretos para o capital.
A ausência de reconhecimento econômico do trabalho reprodutivo não é um acidente histórico, mas uma condição estrutural do capitalismo: se esse trabalho fosse pago, os custos de produção aumentariam drasticamente. Essa invisibilização é também uma forma de controle sobre as mulheres, que ficam presas a responsabilidades que não são reconhecidas nem na esfera econômica nem na esfera política. Na educação, problematizar o trabalho reprodutivo permite questionar desigualdades de gênero e reconhecer o cuidado como dimensão central da existência humana.