Desde o princípio, a noção de Marx da alienação do trabalho humano esteve conectada a uma compreensão da alienação dos seres humanos em relação à natureza.John Bellamy Foster · A Ecologia de Marx, p. 22 (Civilização Brasileira)
Durante décadas, repetiu-se que Marx não tinha olhos para a natureza. John Bellamy Foster prova o contrário, e o faz lendo o próprio Marx, linha por linha.
Publicado em 2000, A Ecologia de Marx reconstrói o pensamento ecológico que estava ali, desde a teoria da alienação até O Capital. A chave é um conceito que Marx tomou da química do solo: o metabolismo entre sociedade e natureza, e a fratura que o capitalismo provoca nele.
O mito de um Marx antiecológico
Críticos acusaram Marx de produtivismo, de só pensar no progresso técnico e ignorar os limites da natureza. Foster mostra que muitos confundem Marx com socialistas que o próprio Marx criticava, e que o ataque ecológico mais forte já escrito está, na verdade, na pena de Marx.
Marx denunciou a espoliação da natureza antes do nascimento de uma moderna consciência ecológica burguesa.Massimo Quaini, citado em J. B. Foster · A Ecologia de Marx, p. 23
A ruptura metabólica
Marx via o trabalho como o metabolismo entre o ser humano e a natureza, a troca material que sustenta a vida. O capitalismo, ao separar campo e cidade e esgotar o solo, abre uma fratura nesse metabolismo. Foster recupera essa ideia, apoiada na química de Justus von Liebig, e a torna a base da ecologia marxista.
Uma leitura que abriu um campo
O NEXO situa Foster como o ponto de virada: depois dele, ficou difícil sustentar que Marx era cego à natureza. Kohei Saito leva a tese adiante, com os cadernos científicos de Marx, e o conjunto se torna a espinha dorsal teórica do ecossocialismo contemporâneo.
A fratura que o capital provoca no metabolismo entre sociedade e natureza, esgotando o solo e o trabalhador.
Saito leva a tese de Foster adiante, com os cadernos científicos de Marx, rumo ao comunismo do decrescimento.
A química do solo de Liebig deu a Marx a linguagem do metabolismo e do seu esgotamento pela agricultura capitalista.
A Ecologia de Marx muda o terreno do debate: a pergunta deixa de ser se Marx pensou a natureza e passa a ser como usar esse pensamento diante da crise climática. É a ponte teórica entre O Capital e o ecossocialismo.
Trilha Ecossocialismo.
