O fim do mundo não é uma profecia distante: para muitos povos, ele já aconteceu.NEXO · Atlas
Ailton Krenak não escreve para confortar. Pensador e líder indígena, ele questiona a própria ideia de humanidade e o sonho de progresso que nos trouxe até a beira do abismo.
Reunindo conferências, o livro de 2019 propõe que a separação entre humanidade e natureza é uma invenção perigosa. Krenak desconfia da palavra progresso e convida a reaprender, com os povos originários, formas de viver que não tratem a terra como mercadoria.
A humanidade como clube fechado
Krenak desconfia da ideia de uma humanidade universal que, na prática, sempre excluiu muita gente, e que se imaginou acima da natureza, com o direito de explorá-la. Esse afastamento da terra, vendido como progresso, é também a raiz da catástrofe ecológica.
Adiar o fim do mundo
Se o fim já está em curso, a tarefa é adiá-lo, ganhar tempo e sentido. Krenak aposta nas histórias, nos sonhos e na diversidade de modos de existir dos povos da terra. Viver não para acumular, mas para pertencer à teia da vida.
Outra matriz, mesma urgência
O NEXO coloca Krenak em diálogo com o ecossocialismo e a ecologia de Boff e Shiva. Partem de lugares distintos, o pensamento indígena e a crítica marxista, mas convergem na recusa de um progresso que devora a casa comum.
A desconfiança da ideia de progresso que separa o humano da natureza e justifica a exploração da terra.
Krenak e Shiva, de matrizes diferentes, defendem a terra como comunidade da vida, não como recurso.
Com Boff, partilha a ideia de uma casa comum, onde justiça e cuidado com a terra são inseparáveis.
Ideias para Adiar o Fim do Mundo é um chamado a desacelerar e a reimaginar o futuro. Não como volta ao passado, mas como recusa a um presente que confunde consumir com viver.
Trilha Ecossocialismo.
