O trabalhador se torna tão mais pobre quanto mais riqueza produz.Manuscritos Econômico-Filosóficos, 1844
Antes de O Capital, Marx já tinha uma intuição que organizaria toda a sua obra: o trabalho, que deveria realizar o ser humano, sob o capital o desfigura.
Escritos em 1844 e publicados só em 1932, os Manuscritos apresentam o conceito de trabalho estranhado, ou alienado. O trabalhador produz um mundo de riquezas, mas esse mundo se volta contra ele como algo estranho e hostil.
As quatro faces do estranhamento
Marx descreve quatro rupturas. O trabalhador se separa do produto que faz, do próprio ato de produzir, da sua natureza humana e dos outros seres humanos. O que era para ser realização vira perda de si.
O trabalho produz maravilhas para os ricos, mas produz privação para o trabalhador.Manuscritos Econômico-Filosóficos, 1844
O germe de O Capital
A alienação dos Manuscritos reaparece, mais tarde, traduzida em categorias econômicas: mais-valia, fetichismo, capital. O jovem filósofo e o autor maduro de O Capital olham para o mesmo problema, a vida roubada de quem trabalha.
Humanismo ou ciência?
O NEXO apresenta o debate sem fechá-lo. Há quem veja nos Manuscritos um Marx humanista, distinto do Marx científico de O Capital; e há quem veja continuidade. Reconhecer a tensão é mais honesto do que escolher um lado por conforto.
O trabalho que, em vez de realizar quem o faz, o empobrece e o separa de si, do produto e dos outros.
A ideia de que o humano se realiza no trabalho livre e consciente. O capital nega justamente isso.
A intuição de 1844 vira, décadas depois, a anatomia econômica da exploração no Livro I.
Ler os Manuscritos é encontrar a pergunta humana que move toda a obra de Marx: o que o trabalho, organizado pelo lucro, faz com a vida de quem trabalha.
Fundamentos do Marxismo.
