O processo pelo qual o ser humano se torna estranho ao produto do seu trabalho, à atividade que realiza e, por extensão, a si mesmo.
Alienação, no sentido marxista, é o processo pelo qual o trabalhador se torna estranho ao que produz. No capitalismo, o operário não possui o produto de seu trabalho: ele pertence ao capitalista. Não determina como será produzido: segue uma lógica que é de outro. Não decide para quem irá: é expropriado do resultado. O que deveria ser expressão da humanidade do trabalhador retorna como coisa alheia, controlada por outro. Marx descreveu esse processo nos 'Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844': o trabalho, que deveria ser a atividade pela qual o ser humano se realiza, transforma-se em meio de sobrevivência e fonte de embrutecimento.
Paulo Freire reconheceu a mesma estrutura dentro da escola. O estudante que não pensa, não questiona e não problematiza a realidade em que vive está alienado de seu próprio processo de aprendizagem. O conhecimento não é seu: é do currículo, da escola, da classe que decide o que vale saber. A educação bancária produz, nesse sentido, um análogo escolar da alienação do trabalho: o estudante executa sem compreender, memoriza sem apropriar, reproduz sem criar.
Dermeval Saviani integra a crítica à alienação na Pedagogia Histórico-Crítica ao afirmar que superar a alienação no campo educacional é condição de qualquer emancipação real. Não como fim em si, mas como parte de uma transformação social mais ampla, da qual a educação não pode estar ausente, mas que ela sozinha não realiza.