Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão.Paulo Freire · Pedagogia do Oprimido, p. 29 (Paz e Terra)
Paulo Freire é o pensador brasileiro mais lido no mundo, e este é o livro que o tornou universal. Nasceu do exílio e da pergunta sobre como ensinar a ler sem ensinar a obedecer.
Escrito no fim dos anos 1960, Pedagogia do Oprimido propõe que a educação nunca é neutra. Ela pode treinar pessoas para aceitar o mundo como ele é, ou despertá-las para transformá-lo. Freire escolhe o segundo caminho e o chama de educação como prática de liberdade.
A educação bancária
Freire critica o modelo em que o professor deposita conteúdos numa cabeça tratada como cofre vazio. Nesse modelo, quem aprende é objeto, não sujeito; decora, não pensa. É uma educação que, sem perceber, ensina a aceitar.
Diálogo e conscientização
No lugar do depósito, o diálogo. Educador e educando aprendem juntos, a partir da realidade vivida. Desse encontro nasce a conscientização: ler criticamente o mundo, perceber as estruturas que oprimem e descobrir que é possível agir sobre elas.
Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo; os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.Paulo Freire · Pedagogia do Oprimido (Paz e Terra)
Libertação que não é dádiva
O NEXO sublinha o ponto mais radical de Freire: ninguém liberta ninguém de cima para baixo. A libertação é um ato coletivo, feito com o oprimido, e não para ele. Educar, aqui, é compartilhar poder, não distribuir favor.
Ler criticamente o mundo, perceber as estruturas que oprimem e descobrir que é possível transformá-las.
O modelo que trata quem aprende como cofre a ser preenchido, e que, sem dizer, ensina a obedecer.
hooks reconhece Freire como mestre e leva a pedagogia do diálogo para o terreno da raça, do gênero e do afeto.
Pedagogia do Oprimido é a base do NEXO. Acreditar que pensar é um direito, e que aprender é um ato de transformar o mundo, é continuar a obra que Freire começou.
Educação Crítica e Inteligência Pedagógica.
