NEXOEcossocialismoÍndice
Rosto de mulher voltado para cima entre folhagens, com um retângulo verde vazio e concreto ao redor.

Posfácio

Posfácio

Sobre escrever entre horas roubadas do cansaço, e por que “Liberdade ou barbárie” está na capa.

Este livro foi sendo tecido entre horas roubadas do cansaço, entre demandas do trabalho, pequenos silêncios em que a gente aprende a respirar de novo e se conhecer. Foi escrito enquanto eu atravessava dias longos demais e esperanças curtas demais, sobre um futuro realmente digno para todos. Ainda assim, foi escrito, porque escrever é uma forma de não perder a esperança e se conectar com nossa individualidade e expandi-la para o mundo.

Em algum momento, percebi que falar sobre ConceitoEcossocialismoA corrente que une a crítica marxista ao capitalismo com a defesa radical da natureza: não há transformação ecológica sem transformação social.Ver no Atlas do NEXO não era apenas escrever sobre a crise do planeta, mas escrever sobre nós. Sobre o direito de existir sem pedir desculpas, sobre a recusa em aceitar que o futuro seja decidido por quem não conhece a realidade da classe trabalhadora e sobre a coragem de dizer que a vida vale mais do que o lucro, e que isso não é radical: é humano.

Este e-book é mais que um produto educacional: é, também, um gesto político e um gesto de amor.
Laís Machado Ribeiro Luz

Espero que a leitura instigue novas perguntas e formas de imaginar um novo mundo.

Eu acredito, profundamente, que a educação é a maior arma contra toda opressão e ConceitoAlienaçãoO processo pelo qual o ser humano se torna estranho ao produto do seu trabalho, à atividade que realiza e, por extensão, a si mesmo.Ver no Atlas do NEXO provocada pelo sistema capitalista. Mas ela não deve ser uma educação burocrática, cansada, sufocada por papéis e por índices irreais. Mas uma educação que nasce do encontro, do olhar que reconhece, da palavra que inquieta e transforma.

Quando escrevo “ecossocialismo”, escrevo também sobre as professoras e professores exaustos carregando mundos nas costas; as meninas negras atravessando enchentes para chegar à escola; os povos indígenas que ensinam, sem fazer alarde, o que significa cuidar; as mãos das mulheres que sustentam casas, vidas e esperanças; os trabalhadores que produzem tudo e são os últimos a serem lembrados.

Escrevo por eles. E escrevo por mim. E escrevo por nós.

Somos feitos de uma matéria que o capitalismo não consegue destruir. Mesmo quando ninguém acredita, somos movidos por nossa capacidade de imaginar, sonhar e de lutar.

Se este livro chegar a uma escola, a um professor cansado, a um aluno curioso, a alguém que ainda não tinha palavras para nomear o que sente, então ele cumpriu seu papel. Espero que este texto te ajude a abrir janelas onde antes havia paredes, que sirva de companhia para quem ensina, e de provocação para quem aprende. Que plante mais perguntas do que respostas e que lembre que educar sempre foi, e sempre será, um ato de coragem.

Liberdade ou barbárie

Por fim, escolhi ressaltar na capa desse livro o chamado de Rosa Luxemburgo “Liberdade ou Barbárie”, porque ele traduz com precisão o encruzilhamento histórico em que nos encontramos. A crise climática não permite neutralidade: ou escolhemos a liberdade que nasce da justiça, do cuidado e da solidariedade, ou assistiremos à barbárie avançar na forma de destruição ambiental, desigualdade e vidas descartadas.

O ecossocialismo, aqui, não é um conceito abstrato, mas a aposta radical e necessária de que ainda podemos escolher a liberdade.
Laís Machado Ribeiro Luz