Definição
O padrão observado em quase todos os países: mulheres tentam suicídio com mais frequência, mas são os homens que morrem por essa causa na maioria dos casos.
O paradoxo de gênero do suicídio nomeia um achado que se repete em praticamente todo o mundo, incluindo o Brasil: mulheres registram mais tentativas de suicídio, mas homens registram mais mortes por suicídio. O termo foi formalizado por Silvia Sara Canetto e Isaac Sakinofsky no artigo The Gender Paradox in Suicide, publicado em 1998 na revista Suicide and Life-Threatening Behavior, e segue sendo a referência mais citada sobre o tema.
O fator mais consistente na literatura para explicar essa diferença é a letalidade do método escolhido. Homens recorrem, com mais frequência, a métodos de maior letalidade, o que eleva a proporção de tentativas que resultam em morte, mesmo quando o número absoluto de tentativas é menor do que entre mulheres. Diferenças na busca por ajuda, no diagnóstico de depressão e em fatores sociais e culturais ligados à masculinidade também aparecem na literatura, mas nenhum fator isolado explica o paradoxo por completo.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde para 2021 mostram a taxa de mortalidade por suicídio entre homens quase três vezes maior que entre mulheres, enquanto mulheres respondem pela maior parte das notificações de tentativa. Lido a partir de uma chave feminista, o paradoxo não é apenas uma curiosidade estatística: ele expõe como a masculinidade normativa, ao desencorajar a busca por ajuda e valorizar métodos letais como prova de determinação, também mata. E, como mostra o trabalho de Vandana Shiva sobre suicídios de agricultores endividados na Índia, quando um homem morre por essa causa, são frequentemente as mulheres da família que seguem carregando, por anos, o peso material e emocional do que ficou.
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